Resenha | O livro selvagem

O livro selvagem
Autor: Juan Villoro.
Tradução: Antônio Xerxenesky.
Páginas: 192.
ISBN: 9788535919868.
Editora: Companhia das Letras.
Capítulo do livro.
Skoob.

Sinopse:

Juan tem treze anos e já planejou as próximas férias: quer ficar em casa e passar os dias brincando e aproveitando o sol do verão. Mas sua família está passando por uma situação difícil. Os pais acabaram de se divorciar, e, tentando se adaptar à nova vida, sua mãe decide que precisa passar alguns dias sozinha. Juan, então, tem de ir para a casa do tio Tito, um sujeito um tanto excêntrico, que ama os livros mais que tudo e tem estantes espalhadas por todos os cantos da casa. Tito detesta telefone e tudo que possa atrapalhar suas leituras, e como companhia aceita apenas os três gatos e a cozinheira. No entanto, ele adora Juan, que considera um leitor especial. Tito acha que o menino descobre muito mais coisas naquilo que lê do que os outros. E tem um plano: vai pedir a ajuda do sobrinho para encontrar uma obra singular entre as milhares que tem em sua casa, chamada “O livro selvagem”, que nunca foi lida por ninguém e que guarda um segredo destinado àquele que a encontrar. Mas por que o livro resiste à leitura? E por que Juan é o único capaz de desvendar seus mistérios? Nessa busca, entre livros, leituras e a convivência com o tio e com Catalina, a menina que trabalha na farmácia em frente da casa de seu tio, Juan vai descobrindo um pouco mais sobre si mesmo e sobre a relação da literatura com as experiências que vivemos cotidianamente.

Resenhas normalmente deveriam ser textos em que a gente disserta sobre o que entendeu no que leu em outro texto. O que eu entendi sobre esse livro é que nenhum livro aparece por acaso em nossas mãos. Por que escolhemos livro X a Y? Por que mudamos de ideia quando vamos à livraria com um livro em mente e acabamos comprando outro? Lembre-se: da próxima vez que um livro aparecer na sua mão, não hesite – ele quer que você o leve para casa.

“Há duas maneiras de um livro chegar até você: a normal e a secreta. A normal é aquela em que você o compra, ou alguém lhe dá ou empresta. Já a secreta é muito mais importante: nesse caso, é o livro que escolhe o seu leitor. Às vezes, as duas maneiras se confundem. Você acha que decidiu comprar um determinado livro, mas na verdade foi ele que se colocou ali para que você o enxergasse e se sentisse atraído. Os livros não querem ser lidos por qualquer pessoa, mas sim pelas melhores, por isso procuram seus leitores.” Pág. 37.

O livro selvagem conta a história de Juan, um garoto de 13 anos que vai passar as férias na casa do tio Tito após o divórcio dos pais. Nessa nova casa, ele descobre que seu tio o queria ali para ajudá-lo na busca de um misterioso livro nunca lido, um livro selvagem. Juan nunca foi muito chegado em leitura e descobrirá que existem vários tipos de livros e que somente alguns leitores especiais conseguem encontrar alguns deles.

“Uma biblioteca não é para ser lida por completo, mas sim para ser consultada. Os livros estão aqui para o caso de serem necessários. Li minha vida toda, mas foi muitos assuntos sobre os quais não sei nada. O importante não é ter tudo na cabeça, e sim saber onde encontrar uma informação. A diferença entre um arrogante e um sábio é que o arrogante só aprecia o que já sabe, enquanto o sábio busca o que ainda não conhece.” Pág. 34

O tio Tito é um homem bastante solitário, vivendo numa casa enorme cercado por muitos livros, uma cozinheira e três gatos. Imaginem um homem com a cara do Albert Einstein mas com um gosto literário elevadíssimo. É com o tio Tito que temos alguns momentos de risos e sabedoria, entre aquelas xícaras de chá e idas ao banheiro para urinar – coisa que ele diz adorar fazer.

O ser humano tem tudo quanto é tipo de problema, mas há um que me interessa muito: ele não sabe se medir. Um alfaiate mede uma pessoa por fora sem dificuldade nenhuma, mas o homem se complica na hora de medir-se por dentro. Um alfaiate interior nos faz falta.” Pág. 44.

A narrativa é feita em primeira pessoa e o narrador é o próprio Juan, só que mais velho relembrando esse momento da vida dele. Não lembro de ter encontrado algum erro de revisão ou qualquer coisa que possa atrapalhar a leitura. As páginas são de papel pólen e as letras possuem um tamanho ótimo para a leitura. 

Eu, como gosto de leitura de juvenis e infantojuvenis, gostei bastante do livro. Os livros piratas, das sombras, bons e maus, todos eles foram bem usados para transmitir várias mensagens sutis. Livros transformam as pessoas e, portanto, também são transformados; o conhecimento não pode ser roubado, tem que ser compartilhado. Eu poderia dizer outros, mas prefiro que vocês leiam o livro e tirem suas próprias conclusões.

O livro selvagem é aquele tipo de leitura que mesmo quando a gente deita a cabeça no travesseiro, após lê-lo, a história ainda continua acontecendo na nossa mente até que adormecemos. E, para mim, não existe sensação melhor do que a história continuar viva na cabeça mesmo após virarmos a última página.

“A mente é uma máquina de pensar. O mais importante não é forrá-la de dados, mas sim aprender a usá-la. Cada cabeça é uma máquina diferente, então cada pessoa precisa usar seu próprio método para pensar.” Pág. 44.

 
O Capítulo do Livro © 2014 | Editado por Hugo